Consulta pública reorienta eixos temáticos de Dacar
Após muitas contribuições, o conjunto dos 11
eixos temáticos propostos para estruturar o espaço físico do Fórum
Social Mundial que acontece em Dacar, entre 6 e 11 de fevereiro de 2011,
além de receber modificações em cada um deles ganhou o décimo segundo
dele: Pela inter-aprendizagem de paradigmas alternativos à crise da
civilização hegemônica da modernidade / colonialidade eurocêntrica, por
meio da descolonialidade e socialização do poder, especialmente nas
relações entre Estado-Mercado-Sociedade; os direitos coletivos dos
povos, a des-mercantilização da vida e do "desenvolvimento" e a
emergência de subjetividades e epistemologias alternativas ao racismo,
eurocentrismo, patriarcado e antropocentrismo.
A partir de agora, você e/ou sua organização pode articular e propor sua
atividade já focada em algum deles. Os eixos temáticos foram
estruturados a partir de três estratégicos: 1) Fortalecer a capacidade
ofensiva contra o capitalismo neoliberal e seus instrumentos; 2)
Aprofundar as lutas e resistências contra o capitalismo, imperialismo e
opressão; 3) Propor alternativas democráticas e populares.
Abaixo, a versão final do documento:
Eixo 1: Por uma sociedade humana fundada sobre princípios e
valores comuns de dignidade, diversidade, justiça, igualdade entre todos
os seres humanos, independentemente dos gêneros, culturas, idade,
deficiências, crenças religiosas, condições de saúde, e pela eliminação
de todas as formas de opressão e discriminação baseadas no racismo,
xenofobia, sistema de castas, orientação sexual e outros.
Eixo 2: Por uma justiça ambiental e por um acesso universal e
sustentável da humanidade aos bens comuns, pela preservação do planeta
como fonte de vida, especialmente da terra, da água, das sementes, das
florestas, das fontes renováveis de energia e da biodiversidade,
garantindo os direitos dos Povos Indígenas, originários, tradicionais,
autóctones, nativos, sem estado, quilombolas e ribeirinhos sobre seus
territórios, recursos, línguas, culturas, identidades e saberes.
Eixo 3: Pela aplicabilidade e efetividade dos direitos humanos -
econômicos, sociais, culturais, ambientais, civis e políticos, incluindo
os direitos da criança - especialmente os direitos à terra, à soberania
alimentar, à alimentação, à proteção social, à saúde, à educação, à
habitação, ao emprego, ao trabalho decente, à comunicação, à expressão
cultural e política.
Eixo 4:Pela liberdade de circulação e de estabelecimento de
todas e todos, mais particularmente dos migrantes e solicitantes de
asilo, das pessoas vítimas de tráfico humano, dos refugiados, dos Povos
Indígenas, originários, autóctones, tradicionais e nativos, das
minorias, pelo respeito de seus direitos civis, políticos, econômicos,
sociais, culturais e ambientais.
Eixo 5:Pelo direito inalienável dos povos ao patrimônio cultural
da humanidade, pela democratização dos saberes, das culturas, da
comunicação e das tecnologias, valorizando os bens comuns com a
finalidade de dar visibilidade aos saberes subjugados, e pelo fim do
conhecimento privado e hegemônico, e por mudanças fundamentais do
sistema de direitos de propriedade intelectual.
Eixo 6: Por um mundo livre dos princípios e estruturas do
capitalismo, da opressão patriarcal, de todas as formas de dominação por
potências financeiras, das transnacionais e dos sistemas desiguais de
comércio, da dominação neocolonial e por dívidas.
Eixo 7: Pela construção de uma economia social, solidária e
emancipatória, com padrões sustentáveis de produção e de consumo e um
sistema de comércio justo que ponha fim ao produtivismo e coloque no
centro de suas prioridades o equilíbrio de todas as formas de Vida, as
necessidades fundamentais dos povos e o respeito à natureza, garantindo
sistemas de redistribuição mundial com taxas globais e sem paraísos
fiscais, e por um modelo de produção e de consumo alimentar baseados na
soberania alimentar que resiste ao modelo industrial, à monopolização
das terras, à destruição das sementes nativas e dos mercados locais de
alimentos.
Eixo 8:Pela construção e ampliação de estruturas e instituições
democráticas, políticas e econômicas locais, nacionais e internacionais,
com a participação dos povos nas tomadas de decisão e no controle dos
assuntos públicos e dos recursos, respeitando a diversidade e a
dignidade dos povos.
Eixo 9:Pela construção de uma ordem mundial baseada na paz,
justiça e segurança humana, no direito, ética e soberania, condenando as
sanções econômicas, e pela autodeterminação dos povos, em especial dos
povos sob ocupação e em situação de guerra e conflitos.
Eixo 10:Pela valorização das vivências, histórias e lutas da
África e da diáspora e sua contribuição à humanidade, e pelo
reconhecimento da violência do colonialismo e do neocolonialismo.
Eixo 11:Pela reflexão coletiva sobre os movimentos sociais, o
processo do Fórum Social Mundial e as perspectivas e estratégias para o
futuro, garantindo suas contribuições à realização efetiva de um outro
mundo possível e urgente para todos e todas.
Eixo 12:Pela inter-aprendizagem de paradigmas alternativos à
crise da civilização hegemônica da modernidade / colonialidade
eurocêntrica, por meio da descolonialidade e socialização do poder,
especialmente nas relações entre Estado-Mercado-Sociedade; os direitos
coletivos dos povos, a des-mercantilização da vida e do
"desenvolvimento", e a emergência de subjetividades e epistemologias
alternativas ao racismo, eurocentrismo, patriarcado e antropocentrismo.


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